sábado, 24 de dezembro de 2016

"Gostaria muito que pudesse cantar alguma coisa para mim... você tem uma voz de hortelã..."
"Ahn, mas..."
"Por favor..."
(...)
"Meu coração, sem direção... voando só por voar... ♪"

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Não se arrependa não, a gente comete erros às vezes... mas ninguém amarrou as nossas pernas... se achar que não está no caminho certo, pode mudar sempre que quiser... quem te ama de verdade vai ficar sempre do teu lado... a gente é humano, sabe, somos feitos para errar e mudar de ideia... isso é até normal... então, não cobre a perfeição de você ou dos outros... a vida nada mais é que um retalho de escolhas... mas sempre há tempo... basta querer e ter pique... enquanto respirar, há tempo para andar pelos caminhos que julgar melhor... afinal, o melhor hoje pode já não ser amanhã... mas não tem problema... a própria vida é incerta...
A única coisa que a gente sabe é que um dia vamos embora... nada mais... o que acontece nesse meio tempo, só depende de nós... portanto, não se culpe por seus erros... se culpe por não pedir desculpas... faça o teu caminho sem tentar machucar ninguém, e peça desculpas quando  for inevitável... o resto é balela... apenas viva... deixe rolar... 
Tempos ruins existem para se dar valor aos tempos de paz... viva os momentos e tente fazer seu melhor... não se cobre demais... é nos momentos difíceis que a gente cresce e aprende algumas coisas importantes... quando estamos rindo, não se tem nada pra aprender... faz parte.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Eric e os 13 anos

Eric e eu estávamos juntos há 13 anos...
Nos conhecemos por acaso,
Num ônibus de excursão
E a partir daquele dia,
Nos aproximamos cada vez mais...

Eric era o tipo de pessoa tímida,
Mas daquelas que vai se soltando
Aos poucos, conforme pega confiança...
E que se mostra uma pessoa linda,
Extremamente linda...

Nosso amor foi nascendo assim,
Sem compromisso, devagar,
Manhoso... e foi brotando feito
Uma sementinha de árvore centenária...
Nosso tempo também começou a ser contado.

Não demorou muito estávamos juntos,
Numa casinha pequena, mas suficiente...
Eric fazia de tudo para me agradar,
Um mimo atrás do outro,
Ele não sabia cozinhar, mas nem por isso,
Pois os cafés da manhã e os
Lanchinhos da tarde eram
Religiosamente organizados por ele,
Sempre com um ou outro bilhetinho
Muito carinhoso...

Eu cozinhava nossa comida,
E me sentia intimamente feliz
Por cada elogio de Eric...
Era engraçado como ele usava tantos minutos
Depois de um almoço para falar tão bem
Da comida que eu preparava para nós...
Eu ficava um pouco sem jeito,
E me empenhava ainda mais para
Fazer o próximo prato tão valorizado
E querido...

Eric era uma pessoa assim...
Suas bochechas coravam com facilidade,
Ainda mais quando fazia suas longas
Declarações a mim, cheias de carinho,
Tão fofas e tão gentis...
Era prestativo, bem educado,
Eu adorava quando ele se enrolava nas palavras
E ficava vermelhinho...
Era tão puro e tão amoroso no seu jeito de ser...

Não foram apenas os 13 anos mais felizes de nossas vidas,
Digo até que foram os 13 anos em que, de fato, me senti
Viva...
Independente do relógio e do calendário,
Eu vivi 13 anos... e foram todos com Eric...

Eric sempre foi a pessoa mais perfeita do mundo,
Mas, infelizmente, seu coração...
Era o mais imperfeito também.

Eric foi diagnosticado com uma doença grave,
Não era violenta, mas progressiva e degenerativa.

A espera por um transplante não condizia com
A longa fila de espera, e tampouco com
A ínfima compatibilidade dos doadores.

Nosso tempo foi passando...
E o fôlego de Eric não era o mesmo,
As longas declarações de amor
Que se estendiam por horas...
Foram se reduzindo a minutos,
E logo estariam condensadas
Nos breves segundos de um
"Eu te amo"...

Os elogios diários sobre minha comida
Se mantiveram com todo o sentimento
Que me fazia tão feliz e querida,
Mas foram, pouco a pouco,
Se resumindo a um "muito obrigado",
Acompanhado dos olhinhos brilhantes
E amorosos de Eric...

Eu o ajudava a preparar o café da manhã
E os lanches da tarde, ainda muito bem organizados,
Para que Eric não se esforçasse demais...

Fazíamos caminhadas quatro vezes na semana,
Andávamos quilômetros sem nos preocupar...
Então o médico recomendou duas vezes por semana,
Não muito mais do que a distância de meio quarteirão...

Eu tinha um pouco de medo,
Mas nada me faria sair do lado de Eric...
Ele me dizia que estava tudo bem,
Mesmo sendo ele quem mais precisava de cuidados,
Era a mim que ele reconfortava e acalmava...
Mesmo sabendo que aquele doce sonho de todo casal,
O de ficar velhinhos e juntos sentados na varanda de casa
Olhando para o jardim, não chegaria a tempo,
Eric queria apenas que ficássemos bem...

Ao final do nosso décimo terceiro ano juntos,
Eric precisou ser hospitalizado...
Sua saúde estava fraca, mas ele ainda era aquela
Pessoa linda que conheci num ônibus,
E que tanto amei nesses 13 anos...

Eu o visitava todos os dias e ficava o máximo de tempo,
Até que o transferiram para um quarto no qual eu podia
Ficar do seu lado o dia todo, conversando sobre tudo
O que fizemos de bom e sobre aquilo que ainda tínhamos
Planos para fazer, como se estivesse tudo bem...

Eu ficava do lado de Eric e conversava com ele o dia todo,
Eu era quem mais falava, enquanto ele acenava como podia...
Em alguns momentos apenas parava e ficava olhando para ele,
Aquelas bochechas pouco vermelhas,
Aquele sorriso discreto me olhando de volta...
Eric fazia sinal com os olhos, perguntando o que foi...
"O que foi? Ah, nada... Foi só que eu te amo..."
E aqueles olhinhos brilhavam...

Nosso décimo terceiro ano já estava acabando,
E aquele também foi o último dia de Eric.

Parecia um dia como qualquer outro daquela nova rotina,
Eu segurava a mão de Eric enquanto lhe dizia como era lindo...
Eric então segurou forte minha mão, de um jeito que eu já
Não me lembrava se ele havia segurado...
Ele fez sinal de que queria um beijo, mas disse que não
Podia mexer na máscara que lhe ajudava a respirar...
Eric insistiu, enquanto apertava minha mão.

Bem, foi o nosso último beijo.
Por um breve momento senti todo o carinho recebido ao longo de 13 anos...
O bip que marcava pausadamente as pulsações do coração
De Eric num aparelho, deu lugar a um uníssono delongado
Que qualquer um no hospital saberia identificar.

O único erro daquele dia foi o do médico legista,
Pois no obituário constava que, naquele décimo terceiro ano,
Naquela hora pontualmente, um passarinho escapara da gaiola...
Mas na verdade foram dois, minha alma se foi junto com a de Eric,
Rumo ao desconhecido "para sempre"...

Depois do décimo terceiro ano, eu era apenas um receptáculo vazio.
Aquele também foi o meu último dia.

sábado, 26 de março de 2016

E se me perguntarem o que mais quero,
É ficar do lado seu...
Ver que o dia amanheceu...
E esse olhar entregue ao meu;
Enquanto que eu...
Admiro como tudo isso cresceu...
Amor tão puro que conheceu
Você, a mulher que me convenceu
Passar a vida do lado seu.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Olhos de universo

Toda a inspiração que procura o poeta na efemeridade da existência
Tu possuis nestes olhos teus, pois todo o infinito do universo
Cabe gentilmente na finitude que repousa nesta tua íris,
Beleza divina que não permite  ao homem contemplar.

Machado que perdoe, mas aqueles outros olhos da rua de Matacavalos
Não podem sequer destes se aproximarem, se o casmurro tivesse
Pois os mirado num instante, traria não turvo mas antes
Claro seu semblante, cousa de admiração etérea.

Estas pupilas como a lua em eclipse de minha alma
Verdadeiros ímãs, que acolhem no escuro dos amantes o amor
Tão sublime e único, nas infindas belas paragens de teus olhos.

E os excessos do romântico não idealizam o contemplar,
Que estes olhos de universo não são meras abstrações da mente,
Pois tens nestas estrelas fonte eterna de poesias.